Transcript of As BIZARRAS visões de EZEQUIEL EXPLICADAS!
Paulo Won | De A a Z com Deus
0:00Existe na Bíblia inteira uma cena mais0:02cinematográfica do que a abertura do0:04livro de Ezequiel? Pense bem, um0:06sacerdote judeu arrancado de sua terra e0:08levado para a Babilônia. Ele está às0:10margens de um rio no exílio, quando de0:11repente os céus se abrem diante dele. Do0:14norte vem uma tempestade enorme,0:15acompanhada de fogo, clarões e uma luz0:18intensa. No centro dessa visão aparecem0:20quatro seres vivos de aparência humana,0:23cada um com quatro rostos, quatro asas,0:25com pés que brilham como bronze polido.0:28Ao lado deles, Ezequiel vê rodas0:29extraordinárias, [música]0:30como se uma roda estivesse dentro da0:33outra e ao redor delas havia olhos por0:34toda parte. Acima dos seres, há algo0:37semelhante a uma superfície brilhante0:39como cristal, e ainda mais alto um trono0:41que parece feito de safira. Sobre esse0:43trono, o profeta contempla uma figura0:45semelhante a um homem envolvida por uma0:47luminosidade que lembra o arco-íris0:50depois da chuva. Depois de tentar0:52colocar em palavras aquilo que Ezequiel0:55viu, ele finalmente declara que aquela0:57era a aparência da glória de Yahvé.1:00Diante dessa visão, ele cai com o rosto1:02no chão e a partir daquele momento, sua1:04vida seria completamente transformada,1:07porque aquele sacerdote exilado seria1:09chamado para anunciar a palavra de Deus1:12a uma geração que havia perdido1:14praticamente tudo que julgava1:16indispensável para sua identidade. Veja,1:19Jerusalém estava ameaçado, o templo1:21seria destruído, a monarquia davídica1:24parecia ter chegado ao seu fim e1:26mulheres judeus haviam sido levados para1:28uma terra estrangeira. É justamente1:30nesse contexto de ruptura que Ezequiel1:32recebe uma das visões mais1:34impressionantes de toda a escritura. O1:36livro de Ezequiel forneceu algumas das1:38imagens mais importantes do vocabulário1:41profético, que reapareceria1:43posteriormente em livros como Daniel,1:46Zacarias e de maneira particularmente1:48intensa no Novo Testamento em1:50Apocalipse. Tronos, seres viventes,1:53olhos, fogo, rios de vida, ressurreição,1:55um novo templo, um novo pastor e o1:57retorno da presença de Deus. São imagens2:00que atravessam esse livro e depois2:02ressurgem em outros pontos da Bíblia. E2:05é por isso que conhecer Ezequiel nos2:07ajuda a perceber detalhes do restante da2:09palavra de Deus que facilmente poderiam2:11passar desapercebidos. Seja muito2:13bem-vindo ao canal de A Z com Deus. Aqui2:15é o Paulo On e percorremos cada livro da2:17Bíblia do começo ao fim, buscando2:19compreender seu texto, seu contexto2:21histórico e o lugar que ele ocupa na2:23grande história das Escrituras. Se você2:26ainda não se inscreveu, se inscreva,2:27ative o sino e compartilhe esse vídeo2:30com aquela pessoa que quer compreender2:32de forma profunda a palavra de Deus. E2:35esse livro tão fascinante. O nome2:37Ezequiel está relacionado à ideia de que2:41Deus fortalece. E olha, é um nome2:43bastante apropriado para uma pessoa que2:45seria chamada justamente para fortalecer2:48um povo arrasado, mostrando-lhe que a2:51derrota de Jerusalém não significava a2:54derrota do Deus de Israel. Ezequiel era2:56sacerdote, filho de Buzi e fazia parte2:58de uma geração que assistiu ao mundo de3:00Judá começar a ruir diante do avanço do3:03império babilônico. Em 597 a de. Crist,3:06o rei Joaquim foi levado para o exílio3:09juntamente com parte significativa da3:11liderança e da população de Jerusalém.3:13Ezequiel estava entre os deportados e3:15foi na Babilônia às margens do rio3:18Quebar que seu ministério profético3:20começou. Esse detalhe geográfico já3:23carrega uma mensagem teológica muito3:25importante, porque Ezequiel havia3:27perdido Jerusalém, estava longe do3:29templo e vivia distante da terra3:31prometida. Para um sacerdote, poucas3:33situações poderiam ser mais3:35desconcertantes. O templo era o lugar3:38associado, de maneira especial à3:39presença de Deus no meio do povo. E3:41agora Ezequiel estava centenas de3:43quilômetros diante dele. Foi justamente3:45ali, entretanto, que os céus se abriram3:47e ele contemplou a glória de Yahé. O3:50livro também chama atenção pela precisão3:53com que registra datas. A primeira3:55grande visão acontece no 5into ano do3:58exílio do rei Joaquim, por volta de 5934:01a. de. Crist, e as profecias datadas4:03percorrem mais de duas décadas. Todo o4:05ministério de Ezequiel registrado no4:07livro acontece no território babilônico.4:10De lá ele anuncia aquilo que aconteceria4:12com Jerusalém. acompanha a aproximação4:14da destruição da cidade e depois da4:17queda ocorrida entre 587 e 586 antes de4:21Cristo. E ele passa a anunciar de4:22maneira cada vez mais intensa aquilo que4:24Deus ainda faria em favor de seu povo.4:27Os 48 capítulos do livro podem ser4:29compreendidos a partir de cinco grandes4:31movimentos. Vamos lá. Os capítulos 1 a4:33tr apresentam a visão inicial da glória4:36de Deus e o chamado de Ezequiel. É ali4:38que o profeta contempla aquilo que4:41posteriormente ficou conhecido na4:43tradição judaica como a visão de4:46Mercavá, a visão do trono móvel de Deus.4:49A principal mensagem dessa cena é4:51decisiva para compreender o restante do4:53livro. A soberania do Senhor não termina4:56nos limites de Jerusalém. O Deus de4:58Israel continua reinando mesmo quando5:00seu povo está no exílio e sua presença5:02não pode ser confiada a um edifício.5:05Depois dessa visão, Ezequiel é chamado5:07para falar em nome de Deus. Ele recebe5:09um rolo cheio de lamentos, gemidos5:11reais, e recebe uma ordem bastante5:13incomum. precisa comer esse documento. A5:16imagem mostra que antes de proclamar a5:17palavra, o profeta precisa recebê-la em5:20si mesmo. Em seguida, Deus estabelece5:22como atalaia, ou seja, uma sentinela5:24responsável por advertir o povo, mesmo5:27quando ninguém deseja escutá-lo. O5:29segundo grande movimento se estende dos5:30capítulos 4 a 24 e anuncia o julgamento5:34sobre Jerusalém e Judá. Nessa parte do5:36livro, Ezequiel utiliza ações simbólicas5:38de maneira extraordinária, transformando5:41o seu próprio corpo e rotina em5:42instrumentos de mensagem profética. Ele5:44constrói uma representação de Jerusalém5:46sitiada, permanece deitado durante5:49longos períodos para simbolizar a culpa5:51de Israel e Judá. raspa os cabelos e a5:53barba e os divide para representar5:56aquilo que aconteceria aos habitantes da5:58cidade. Em vez de apenas anunciar o6:00julgamento com palavras, Ezequiel muitas6:03vezes o encena, performa diante do povo.6:05Dentro dessa sessão aparecem algumas das6:07denúncias mais duras do Antigo6:09Testamento. No capítulo 16, Jerusalém é6:12apresentada por meio de uma longa e6:13perturbadora alegoria conjugal. Deus6:16havia cuidado dela, estabelecido aliança6:18com ela e a adornado. Porém, a cidade6:21respondeu à graça recebida,6:23entregando-se a idolatria. Dos capítulos6:258 a 11, a denúncia se torna ainda mais6:27grave, porque Ezequiel é levado em visão6:29ao próprio templo de Jerusalém e6:32contempla práticas idólatras acontecendo6:34justamente no lugar dedicado ao culto do6:37Senhor. É nesse momento que começa um6:39dos movimentos mais importantes do6:41livro. A glória de Deus que deveria6:43habitar no templo começa6:45progressivamente a se afastar. Ezequiel6:48a contempla deslocando-se dentro da6:50região do santuário, depois em direção à6:53entrada, posteriormente à porta oriental6:55e por fim para fora da cidade. Esse6:57movimento será fundamental para6:59compreender o final do livro, porque7:01Ezequiel não contará apenas a história7:05de uma glória que parte. Ele também7:07anunciará o dia em que essa glória7:10retornará. O terceiro grande movimento7:12aparece nos capítulos 25 a 32 e reúne7:15profecias contra as nações ao redor de7:17Israel. Amom, Moab, Edom, Filiste, Tiro,7:20Sidom e Egito. Depois de anunciar o7:22julgamento contra o próprio povo da7:24aliança, Ezequiel mostra que a soberania7:26divina também se estende às nações.7:28Grandes cidades comerciais, reis7:30orgulhosos, impérios aparentemente7:33invencíveis também estão debaixo do7:36governo do Senhor da história. O fato de7:38Deus julgar Judá não significa que a7:41Babilônia ou qualquer outra nação esteja7:43fora de seu domínio. O quarto movimento7:46começa no capítulo 33. Depois que a7:49queda de Jerusalém se torna uma7:50realidade. Até esse ponto, grande parte7:53da mensagem de Ezequiel havia advertido7:56sobre o julgamento que estava chegando.7:58Agora, o desastre havia acontecido, a8:01cidade estava destruída, o templo havia8:04sido queimado e a esperança nacional8:06parecia ter desaparecido. É exatamente8:09nesse cenário que as promessas de8:11restauração começam a ocupar o plano. O8:15atalaia reaparece. Deus denuncia os8:18falsos pastores de Israel e promete8:21cuidar pessoalmente de suas ovelhas.8:23Surge então a promessa de um novo Davi.8:26Em seguida, Deus promete purificar seu8:27povo, retirar o coração de pedra,8:30conceder um coração de carne e colocar8:32seu espírito dentro deles. Depois vem a8:35extraordinária visão do vale dos ossos8:37secos, na qual aquilo que estava8:39completamente morto volta a viver pela8:42ação do espírito de Deus. Nos capítulos8:4438 e 39, finalmente aparece a derrota8:47dos poderes que se levantaram contra o8:49povo do Senhor. O quinto e último8:51movimento ocupa os capítulos 40 a 48.8:54Ezequielevado em visão a um monte muito8:56alto e contempla uma nova realidade8:59associada ao templo, a terra e a9:01presença de Deus. Um homem com aparência9:03semelhante ao bronze começa a medir9:05cuidadosamente cada espaço. Até que no9:09capítulo 43 acontece aquilo que o livro9:11inteiro vinha preparando. A glória do9:14Senhor retorna. Aquela presença que9:16havia deixado Jerusalém nos capítulos9:18anteriores volta a ocupar o centro da9:21visão. O livro então termina com uma9:23imagem de água saindo da região do9:26templo, crescendo até se transformar num9:29rio profundo e levando vida ao deserto e9:33até mesmo às águas mortas. Essa9:35estrutura nos ajuda a perceber que9:36Ezequiel não é simplesmente uma coleção9:38de visões estranhas. Existe um movimento9:41muito claro percorrendo o livro. Ele9:43começa com a glória de Deus, passa pela9:46rebelião do povo e pela retirada dessa9:49glória, atravessa o julgamento e chega a9:51promessa de restauração, culminando no9:54retorno da presença divina e na vida que9:57passa a fluir a partir dela. Com esse9:59panorama em mente, podemos voltar ao10:01primeiro capítulo, porque ali se10:02encontra uma das chaves para compreender10:05todo o restante. Os quatro seres10:07viventes possuíam quatro rostos: um10:10rosto humano, um de leão, um de boi e um10:12de águia. Cada um tinha quatro asas e10:14mãos humanas sobre elas. Ezequiel também10:17observa que elas podiam mover-se em10:18qualquer direção, sem precisar virar o10:20corpo para onde estavam indo. Ao lado10:22desses seres estavam as famosas rodas10:25dentro das rodas. O profeta tenta10:27descrever uma realidade celestial,10:29utilizando a imagem que possui. E o10:31resultado é uma cena que desafia a10:33imaginação. Os movimentos10:35extraordinários, os olhos espalhados10:37pelas rodas e a mobilidade de toda a10:39visão reforçam uma verdade especialmente10:41importante para alguém que estava no10:43exílio. Nada escapa ao olhar de Deus e10:46seu governo não está limitado a10:48Jerusalém. A visão então continua10:50subindo. Acima dos seres vivos, Ezequiel10:52contempla algo semelhante a uma expansão10:55brilhante e acima dela aparece um trono.10:57Em Ezequiel 1:26 a 28, o profeta10:59descreve a cena dizendo o seguinte:11:01Acima dessa superfície havia algo11:03parecido como um trono de safira. Do11:05trono, bem no alto, havia uma figura11:08semelhante a um homem. Da cintura para11:09cima tinha uma aparência de reluzente11:12que cintilava como o fogo. E da cintura11:15para baixo parecia uma chama ardente que11:18brilhava com o esplendor. Estava rodeado11:20por um aro luminoso como arco-íris que11:23resplandece entre as nuvens num dia de11:25chuva. Essa era a aparência da glória do11:28Senhor para mim. Quando vi, prostrei-me11:30com rosto no chão. Uma das palavras11:32fundamentais dessa passagem é glória. O11:34termo carrega a ideia de peso e11:37importância e em diferentes contextos11:39bíblicos é utilizado para falar da11:41manifestação majestosa da presença de11:43Deus. A glória do Senhor havia se11:46manifestado no tabernáculo e depois11:48havia enchido o templo construído por11:50Salomão. Agora, porém, Ezequiel, um11:52sacerdote deportado para Babilônia,11:55contempla essa mesma glória longe de11:58Jerusalém. É difícil enxergar o impacto12:00dessa visão para os primeiros ouvintes12:02do livro. Os babilônios haviam invadido12:04Judá. Parte do povo havia sido levado12:06para o exílio e Jerusalém caminhava para12:08a destruição. No mundo antigo, vitórias12:10militares frequentemente eram12:12interpretadas também em termos12:14religiosos, como se a divindade do povo12:17vencedor tivesse triunfado sobre a12:20divindade do povo derrotado. A visão de12:22Ezequiel destrói completamente essa12:24interpretação. Nabuco Dononzor podia ter12:27conquistado Jerusalém, mas jamais havia12:30conquistado o Senhor. O povo podia12:32perder a cidade, o templo podia ser12:34destruído e a monarquia podia entrar em12:37colapso. Porém, Yahé continuava sentado12:40no trono e seu governo permanecia12:43intacto. No capítulo dois, esse Deus12:45chama Ezequiel por uma expressão que12:47aparecerá mais de 90 vezes ao longo do12:50livro Ben Adam, filho do homem. No12:53contexto de Ezequiel, essa forma de12:55tratamento ressalta repetidamente a12:58condição humana do profeta diante da13:00majestade daquele que o chama. Ezequiel13:03está caído diante da glória divina e13:05Deus o coloca em pé para falar em seu13:08nome. Nesse momento, o profeta recebe a13:10ordem de comer um rolo escrito dos dois13:13lados e cheio de lamentos, gemidos e13:16ais. Ele obedece e, apesar do conteúdo13:18pesado, afirma que o rolo era doce com o13:21mel em sua boca. A imagem transmite uma13:23verdade profunda a respeito do13:25ministério profético. Ezequiel não13:27poderia tratar a palavra simplesmente13:29como uma mensagem externa que deveria13:32repassar aos outros. Antes de13:34proclamá-la, precisava recebê-la,13:36interiorizá-la e permitir que ela13:39moldasse o próprio mensageiro. No13:41capítulo tr, a outra figura passa a13:43definir seu ministério. Deus estabelece13:46Ezequiel como Sofé, um atalaia. Na13:49antiguidade, o atalaia permanecia num13:51lugar elevado, observando o horizonte. E13:53quando avistava a aproximação de um13:55inimigo, sua responsabilidade era tocar13:58o alarme. Ele não controlava a reação14:00das pessoas, mas precisava cumprir14:02fielmente sua função de adverti-las. É14:06exatamente essa responsabilidade que14:07Deus entrega ao profeta. Ezequiel deve14:10anunciar a palavra, mesmo sabendo que14:12muitos não desejarão recebê-la. Se14:15advertir e o povo não ouvir, os ouvintes14:17responderão por sua decisão. Se14:19permanecer em silêncio quando deveria14:21falar, ele próprio responderá por sua14:24omissão. Essa figura do Atalaia14:26reaparecerá no capítulo 33 e funciona14:29como uma espécie de moldura para a14:31grande sessão de julgamento dos14:33capítulos 4 a 24. Nesses capítulos,14:35Ezequiel anuncia a queda de Jerusalém14:37por meio de discursos e de ações14:39simbólicas impressionantes. Ele14:42representa o cerco de Jerusalém14:44utilizando um tijolo. Permanece deitado14:46durante períodos determinados para14:48simbolizar a culpa de Israel e Judá. E14:50em outro momento raspa a cabeça e a14:53barba, dividindo os cabelos em três14:55partes para representar o destino da14:58população. Dessa maneira, o profeta não15:00apenas transmite uma mensagem verbal,15:02mas transforma sua própria vida numa15:05encenação do julgamento que está15:08chegando. A sessão mais dramática15:10aparece entre os capítulos 8 e 11,15:12quando Ezequiel é transportado em visão15:15até Jerusalém e levado ao templo. Ali15:17ele contempla imagens detestáveis,15:20líderes queimando incenso diante de15:22representações pagãs, mulheres15:24envolvidas no culto a Tamus e homens15:26dentro do complexo do templo voltados15:29para o leste, adorando o sol. O lugar15:31que deveria testemunhar a santidade do15:33Deus de Israel havia sido profundamente15:36profanado pelo próprio povo da aliança.15:38Em seguida, Ezequiel assiste a glória de15:41Deus se afastando. O movimento acontece15:44progressivamente e faz com que a cena se15:46torne ainda mais dolorosa. A glória que15:49havia enchido o templo começa a deixar o15:51santuário, dirige-se para a entrada,15:54segue em direção à porta oriental e15:56finalmente sai da cidade. O verdadeiro15:59desastre de Jerusalém, portanto, não16:01consistia apenas na destruição de seus16:03muros ou na destruição de um edifício16:06religioso. A tragédia central era16:08retirada da presença de Deus em juízo,16:11contra um povo que havia16:12persistentemente16:14profanado sua aliança. É nesse mesmo16:17bloco que encontramos o capítulo 18, uma16:19importante discussão sobre16:21responsabilidade. Circulava entre os16:23exilados um provérbio segundo o qual os16:26pais haviam comido uvas verdes e os16:29dentes dos filhos haviam ficado16:31embotados. A ideia era que a geração16:33presente estava apenas sofrendo pelas16:36escolhas das gerações anteriores e,16:38portanto, pouco poderia fazer a respeito16:41de sua situação. Ezequiel confronta esse16:43fatalismo. Ele não nega que o pecado de16:46uma geração possa produzir consequências16:48para as seguintes. Algo que a própria16:50história de Israel demonstrava com16:52clareza. O que o profeta rejeita é a16:54tentativa de utilizar o passado como16:56justificativa para a rebelião presente.16:59Cada pessoa continuava responsável pela17:02maneira como respondia Deus. O pecado17:04dos pais não oferecia aos filhos uma17:07desculpa para continuarem pecando. E a17:09história anterior da nação não anulava a17:12necessidade de arrependimento naquele17:14momento. É por isso que em Ezequiel17:1618:31 a 32 o Senhor clama: "Livrem-se de17:19todos os seus pecados e façam para si um17:22coração novo e um espírito novo, porque17:25vocês haveriam de morrer, ó povo de17:26Israel, não tenho prazer na morte de17:29ninguém", diz o Senhor soberano.17:30Portanto, arrependam-se e vivam. O17:33chamado é sincero e urgente, porque Deus17:36declara não ter prazer na morte daquele17:38que morre e convoca seu povo a abandonar17:42a rebelião. Quando Jerusalém finalmente17:44cai, aquilo que Ezequiel havia anunciado17:46durante anos deixa de ser uma ameaça17:48futura e se transforma em realidade. E é17:51nesse ponto que o livro muda de direção.17:53A partir do capítulo 33, as promessas de17:55restauração passam a ocupar espaço cada17:58vez maior. E uma das imagens mais18:00importantes dessa nova etapa aparece no18:03capítulo 34. Ezequiel volta sua atenção18:06para os pastores de Israel,18:07especialmente os líderes responsáveis18:10por cuidar do povo. Em vez de servirem18:13ao rebanho, eles haviam utilizado sua18:15posição em benefício próprio. O profeta18:17descreve esses pastores como homens que18:19bebem o leite, vestem-se de lã e se18:22alimentam das melhores ovelhas enquanto18:25negligenciam as fracas, as doentes, as18:28feridas e as perdidas. O resultado desse18:30fracasso é um rebanho disperso e18:33vulnerável. É justamente diante desse18:35fracasso dos líderes humanos que Deus18:37faz uma promessa extraordinária. Em18:40Ezequiel 34:11, o próprio Yahé declara:18:43"Eu mesmo procurarei minhas ovelhas e18:45cuidarei delas". Alguns versículos18:47depois, porém, o texto acrescenta outra18:49promessa. Em Ezequiel 34:23, Deus18:52afirma: "Porei sobre elas um só pastor,18:55meu servo Davi. Ele as alimentará e será18:58seu pastor." As duas ideias aparecem19:00lado a lado. O próprio Deus virá buscar19:02suas ovelhas e ao mesmo tempo, um pastor19:05da linhagem de Davi será estabelecido19:07sobre elas. Quando chegamos ao Evangelho19:09de João e ouvimos Jesus declarar lá em19:12João 10:11, "Eu sou o bom pastor", a19:16linguagem de Ezequiel 34 se torna19:18difícil de ignorar. Jesus se apresenta19:20dentro de um horizonte bíblico em que19:23Deus havia prometido buscar pessoalmente19:25suas ovelhas e levantar sobre elas um19:28único pastor davídico. Por isso, a19:31figura do bom pastor em João não é19:33apenas uma metáfora agradável sobre o19:36cuidado de Jesus. Ela participa de uma19:39longa promessa profética que agora19:41começa a se cumprir. No capítulo 36,19:43Ezequiel avança ainda mais e apresenta19:45uma das grandes promessas de19:47transformação interior do Antigo19:48Testamento. Israel havia profanado o19:50nome de Deus entre as nações e o Senhor19:53deixa claro que a sua restauração não19:56acontecerá porque o povo finalmente se19:58tornou merecedor. Em Ezequiel 36:22,20:01Deus declara que agirá por causa de seu20:03santo nome, que Israel havia deshonrado20:06entre as nações. A iniciativa da20:08restauração, portanto, nasce da20:10fidelidade e da graça de Deus. É nesse20:13contexto que Ezequiel 36:25 a 27 temos o20:17seguinte: "Então aspergirei sobre vocês20:19água pura e ficarão limpos. Eu os20:22purificarei de sua impureza e sua20:25adoração a ídolos. Eu lhes darei um novo20:27coração e colocarei em vocês um novo20:29espírito. Removerei seu coração de pedra20:31e lhes darei um coração de carne. Porei20:33dentro de vocês meu espírito para que20:35sigam meus decretos e tenham cuidado de20:38obedecer a meus estatutos. A sequência20:41das ações é teologicamente muito20:43significativa porque o sujeito de todas20:45elas é Deus. É ele quem purifica, remove20:48o coração de pedra, concede um coração20:51de carne e coloca seu espírito dentro do20:53povo. A obediência aparece como20:55resultado dessa obra interior. Aqui20:57estão algumas das grandes categorias que20:59o Novo Testamento desenvolverá ao falar21:02da obra salvadora de Deus e das bênçãos21:04da nova aliança. Purificação,21:07regeneração, presença do Espírito e uma21:09nova disposição para viver segundo a21:12vontade do Senhor. Essa promessa também21:13mostra que o problema de Israel nunca21:16havia sido apenas geográfico. Tirar o21:18povo da Babilônia e levá-lo de volta21:20para Judá não resolveria a questão21:22fundamental, porque o coração que havia21:25produzido idolatria antes do exílio21:28continuaria depois deles voltarem. A21:31restauração verdadeira exigia uma obra21:34que alcançasse o interior do ser humano.21:36E é exatamente isso que Deus promete21:38fazer. Essa promessa prepara o caminho21:40para a visão do capítulo 37. O Espírito21:43do Senhor leva Ezequiel a um vale cheio21:46de ossos e o profeta percebe que eles21:48estavam extremamente secos. A imagem não21:51é de enfermidade ou fraqueza, mas de21:54morte completa e prolongada. Diante21:56daquela cena, conforme Ezequiel 37:3,21:59Deus pergunta: "Filho do homem, acaso22:01estes ossos podem voltar a viver?"22:03Ezequiel responde: "Ó Yahé soberano, só22:06tu sabes". A resposta do profeta é22:08importante porque ele não procura nos22:10próprios ossos alguma possibilidade22:12escondida de recuperação. A única22:14esperança está no Deus que fez a22:16pergunta. Em seguida, o Senhor manda22:18Ezequiel profetizar e o vale começa a se22:21transformar. Os ossos se aproximam uns22:24dos outros, tendões aparecem, carne os22:28reveste e a pele cobre os corpos. Ainda22:31assim, eles permanecem sem vida, porque22:33eles falta o fôlego. Então, Deus manda22:35Ezequiel profetizar a ruar, palavra22:38hebraica que, dependendo do contexto22:41pode significar vento, fôlego ou22:42espírito. Essa riqueza de sentidos é22:44fundamental para a cena. O fôlego vem,22:47entra nos corpos e transforma aquele22:49vale de morte num enorme exército vivo.22:52O próprio capítulo explica a imagem ao22:55identificar os ossos com a casa de22:56Israel. O povo dizia que seus ossos22:59haviam secado, sua esperança havia23:00desaparecido e tudo estava perdido. E a23:03visão responde exatamente a esse23:04desespero, mostrando que Deus é capaz de23:08levantar novamente um povo que já se23:10considerava morto. Esse é o sentido23:12imediato da passagem. Embora a escolha23:14da linguagem da morte e da vida também23:18faça com que Ezequiel 37 passe a23:20integrar o grande horizonte bíblico da23:23esperança da ressurreição. Além disso,23:25existe uma ligação muito bonita entre os23:27capítulos 36 e 37. Primeiro, Deus23:29promete colocar seu espírito dentro do23:31povo. Depois, Ezequiel contempla o23:33espírito produzindo vida onde havia23:36apenas morte. Assim, a restauração23:38prometida não depende da capacidade23:40humana de reorganizar aquilo que foi23:43destruído, mas da ação soberana de Deus,23:46que transforma o coração e concede vida23:49por meio do seu espírito. Nos capítulos23:5038 e 39, surge Gog, na terra de Magogue,23:54liderando forças que se levantam contra23:57o povo de Deus. É um texto difícil e23:59cercado por muitas interpretações ao24:02longo da história, porém seu movimento24:04principal é bastante claro. Mesmo quando24:06as forças hostis parecem numerosas e24:09ameaçadoras, Deus continua soberano e é24:12capaz de defender seu povo. Mais tarde,24:14em Apocalipse 20, os nomes Gog e Magog24:18reaparecem para representar a reunião24:20dos poderes que se levantam contra os24:23santos. Ezequiel, portanto, fornece24:25algumas das imagens que posteriormente24:27seriam incorporadas à linguagem24:29apocalíptica bíblica. Depois dessa24:31sessão, chegamos aos capítulos 40 a 48 e24:35a última grande visão do livro. Ezequiel24:37é levado a um monte muito alto e24:38contempla uma realidade relacionada ao24:40templo, a terra e a presença restaurada24:43de Deus. Um homem com aparência24:44semelhante ao bronze segura instrumentos24:46de medição e conduz o profeta pelos24:48diferentes espaços. Muros, portas,24:51câmaras, pátios, altar e santuário são24:53cuidadosamente medidos, de modo que24:56depois de tantos capítulos descrevendo24:58profanação e destruição, a visão final é25:00marcada por ordem e santidade. No25:03capítulo 43, finalmente acontece aquilo25:05para o qual todo esse movimento25:07apontava. Ezequiel olha para o leste e25:10vê a glória do Deus de Israel se25:13aproximando. É justamente pela direção25:15oriental que a glória partido25:17anteriormente e agora ela retorna.25:19Ezequiel 43 4 a 5. A glória do Senhor25:23entrou no templo pela porta voltada para25:25o leste. Então o Espírito me levantou e25:28me levou ao pátio interno. E a glória do25:30Senhor encheu o templo. O livro começa,25:32portanto, com Ezequiel contemplando a25:34glória de Deus na Babilônia. acompanha a25:36retirada dessa glória de um templo25:38profanado. E depois de atravessar o25:40julgamento e as promessas de25:42restauração, chega o momento em que a25:44presença divina retorna. Esse movimento25:46dá unidade a muitas visões do livro e25:49mostra que a grande esperança de25:51Ezequiel não consiste simplesmente na25:54reconstrução de uma cidade ou na25:56recuperação das instituições antigas. O25:59centro da restauração é a presença do26:01próprio Deus com seu povo. Essa ideia se26:03torna ainda mais clara no capítulo 47.26:07Ezequielevado à entrada do templo e26:09percebe água saindo debaixo do limiar.26:12No começo é um pequeno fluxo, mas o26:14homem que acompanha o profeta começa a26:16medir a distância e a cada nova medição26:18o nível da água aumenta. Primeiro chega26:21aos tornozelos, depois aos joelhos, em26:23seguida a cintura e, finalmente torna-se26:25um rio tão profundo que já não pode ser26:29atravessado a pé. A cena chama atenção26:31porque nenhum afluente é mencionado. O26:33rio cresce simplesmente porque sua fonte26:36está associada à presença de Deus. Ela26:38segue em direção à região árida e chega26:40até as águas do Mar Morto, onde acontece26:43algo surpreendente. Aquilo que era26:45conhecido justamente pela ausência de26:47vida começa a transbordar vida. Em26:49Ezequiel 47:9, o profeta registra: "Por26:52onde a água desse rio passar, haverá26:55muitos seres vivos. O mar morto ficará26:57cheio de peixes, porque sua água se27:00tornará pura. surgirá vida por onde esta27:02água fluir. Ezequiel também vê árvores27:05crescendo às margens do rio, produzindo27:07frutos regularmente, oferecendo folhas27:10utilizadas para cura. Dessa maneira, o27:12livro termina mostrando que quando a27:14presença de Deus retorna, sua vida se27:16espalha e transforma aquilo que por si27:19mesmo não poderia produzir vida alguma.27:21Quando continuamos lendo as escrituras,27:24percebemos que essa imagem não27:25desaparece. Em João 7, durante a festa27:28dos tabernáculos, Jesus está em27:30Jerusalém e no último e mais importante27:32dia da festa faz um convite público.27:35Segundo João 7:37 38, ele diz: "Quem tem27:38sede venha a mim e beba, pois as27:40escrituras declaram: "Rios de água viva27:42brotarão do seu interior". Logo depois,27:44o próprio evangelista explica que Jesus27:46estava falando a respeito do espírito.27:48Depois de termos lido Ezequiel, é27:50difícil não perceber como a água, vida,27:52presença divina e espírito começam a27:54formar uma rede de imagens que atravessa27:57a revelação bíblica. E essa imagem27:59reaparece uma última vez no encerramento28:02das escrituras. Em Apocalipse 22, João28:05contempla o rio da água da vida,28:07procedendo do trono de Deus e do28:09cordeiro. Nas margens aparece a árvore28:12da vida, suas folhas são destinadas à28:14cura das nações. A Bíblia começa com um28:16jardim irrigado por um rio e termina com28:19uma cidade jardim atravessada pelo rio28:22da vida. Entre esses dois extremos,28:24Ezequiel contempla antecipadamente uma28:26realidade em que a presença de Deus28:28retorna ao centro e a partir dela a vida28:31alcança aquilo que estava morto. Essa é28:33uma das razões pelas quais o livro28:36possui tanta importância para a teologia28:38bíblica. Ele conecta o templo à presença28:40de Deus, a presença do Espírito. O28:42espírito é o coração novo. O coração28:44novo a vida que vence a morte e essa28:47vida a restauração da criação. Existe28:50ainda outra conexão importante com o28:52livro do Apocalipse. Os quatro seres28:54viventes que aparecem no primeiro28:55capítulo de Ezequiel possuíam rostos de28:59homem, leão, boi e águia. Quando João29:01recebe a visão do trono celestial em29:03Apocalipse 4, essas mesmas imagens29:05reaparecem agora distribuídas entre29:08quatro seres. Um semelhante a leão,29:11outro a novilho, outro com o rosto29:13semelhante ao de homem e outro29:15semelhante a uma de águia em voo. João29:17está claramente retornando ao mundo29:19visual das grandes visões proféticas,29:22especialmente o de Ezequiel. Esses seres29:24cercam o trono e proclamam continuamente29:26a santidade de Deus. No capítulo29:28seguinte, o cordeiro aparece no centro29:30da cena, de modo que o universo do29:33trono, glória, seres viventes e adoração29:36que Ezequiel contemplou as margens do29:38rio Quebar volta a aparecer na visão29:41concedida a João em Pátimos. Há algo29:43particularmente significativo nisso,29:45porque os dois homens receberam suas29:47visões no contexto de exílio. Um29:49sacerdote judeu está longe de Jerusalém29:51às margens do rio Quebar. Séculos29:53depois, um apóstolo cristão está29:55isolado, degredado na ilha de Pátimos.29:58Em ambos os casos, enquanto a realidade30:00terrestre parece marcada por perda,30:02pressão e fragilidade, a visão celestial30:05revela que o governo de Deus permanece30:07firme. Talvez essa seja uma das maiores30:10mensagens de Ezequiel para seus30:12primeiros ouvintes e também para todos30:14os que vêm depois deles. O profeta viveu30:17numa época em que praticamente tudo ao30:19redor parecia contradizer as promessas30:21de Deus. Jerusalém estava caindo, os30:24inimigos avançavam, o templo seria30:26destruído, o povo seria disperso e seus30:29líderes haviam fracassado30:31miseravelmente. Alguém que observasse30:33apenas a superfície dos acontecimentos30:36poderia concluir que tudo havia30:38simplesmente acabado. Ezequiel, porém,30:40começa seu ministério olhando para o céu30:42aberto e contemplando um trono. Essa30:45visão inicial reorganiza todo o restante30:47da história porque mostra que o exílio30:49não significava que Deus havia sido30:52derrotado. Assim como o julgamento não30:54significava que as promessas de Deus30:57haviam falhado. O mesmo Deus que exerce31:00juízo sobre o pecado é também aquele que31:02promete buscar suas ovelhas, purificar31:05seu povo, transformar seu coração,31:07colocar nele seu espírito para produzir31:10vida onde parecia existir apenas morte.31:12É por isso que a esperança de Ezequiel31:15não está fundamentada na capacidade31:16humana de reconstruir aquilo que o31:18pecado destruiu. Sua esperança repousa31:20na iniciativa soberana de Deus. É o31:23Senhor quem procura as ovelhas31:24dispersas, quem purifica seu povo, quem31:27remove o coração de pedra, quem concede31:29o coração de carne, quem coloca seu31:31espírito dentro dos seus e quem faz a31:34vida surgir no vale dos ossos secos. Até31:37mesmo o retorno da glória e o rio que31:40leva vida ao deserto partem da ação31:42divina. Quando avançamos pelas31:44escrituras, percebemos que essas31:45promessas começam a convergir de maneira31:48cada vez mais clara. O pastor prometido31:50chega e Jesus se apresenta como o bom31:52pastor. A promessa de purificação e de31:55um novo coração encontra seu lugar31:57dentro da obra da nova aliança. O31:59espírito é derramado sobre o povo de32:01Deus e a morte finalmente é vencida pela32:04ressurreição de Cristo. A história então32:06caminha para o dia em que a presença de32:08Deus com seu povo será plena e32:11definitiva. É significativo perceber32:14como o início de Ezequiel e o final da32:16Bíblia dialogam entre si. O profeta32:18começa as margens do rio Quebar,32:20contemplando um trono. Enquanto32:22Apocalipse termina diante do trono de32:25Deus e do cordeiro. Ezequiel vê a glória32:27abandonar um templo profanado, enquanto32:29João contempla uma cidade que nem sequer32:33necessita de templo, porque o Senhor32:35Deus todo- poderoso e o cordeiro são o32:38seu templo. Ezequiel vê a água32:39procedendo da presença divina e levando32:42vida a uma região morta, enquanto João32:44vê o rio de água da vida, saindo do32:47trono de Deus e do cordeiro. Até as32:48árvores de Ezequiel, cujas folhas estão32:51associadas à cura, encontram eco na32:53árvore da vida de Apocalipse, cujas32:55folhas são destinadas à cura das nações.32:58A história que aos olhos dos exilados33:00parecia caminhar para o fim nas ruínas33:03Jerusalém, termina na verdade, na33:05presença eterna de Deus com seu povo. É33:07justamente por isso que Ezequiel33:09continua sendo um livro tão necessário.33:12Ele leva o pecado a sério e jamais33:14minimiza a idolatria ou o julgamento,33:17mas também não permite que a rebelião33:19humana tenha a palavra final. O livro33:21termina apontando para a esperança de33:23uma restauração em que a glória retorna33:26e a vida começa a correr como um rio.33:28Essa é no final das contas a grande33:30esperança de Ezequiel. A história do33:32povo de Deus não é determinada pela33:34força de seus inimigos, pela33:36profundidade de seus fracassos ou pela33:37extensão de suas ruínas. Porque acima de33:39tudo isso permanece o Deus que reina,33:41julga, restaura e conduz sua aliança até33:45o seu cumprimento. Se esse vídeo te33:47ajudou a compreender o livro de33:49Ezequiel, deixe o seu like, compartilhe33:51com alguém que também precisa conhecer a33:53riqueza desse livro e inscreva-se no33:55canal para continuar comigo nessa33:57jornada de a com Deus. Olha só, nós34:00lançamos mais um livro, A Grande34:04História, uma jornada, uma travessia34:06pela meta narrativa das Escrituras. Você34:09vai se situar nessa grande história de34:12Deus. 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